segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Hamas combate o terrorismo e enfrenta mercenários apoiados por Israel na Faixa de Gaza

Prof. Dr. Márcio José Mendonça

Em meio as negociações de paz e troca de reféns novos embates deixam dezenas de mortos na Faixa de Gaza. No último sábado (11/10) ao menos 27 pessoas morreram em confrontos na Cidade de Gaza entre forças de segurança do Hamas e membros armados do clã da família Dughmush, um grupo armado apoiado e financiado por Israel que vem ampliando as suas ações após a invasão israelense ao enclave de Gaza.

Após a retirada parcial das forças israelenses do interior da Faixa de Gaza o Hamas tem buscado retomar o controle de áreas recentemente desocupadas por tropas israelenses. Suspeita-se que o jornalista Saleh Al-Já’frawi, assassinato no último domingo (12/10) por gangues ligadas a Israel não seja um caso isolado, mas uma ação de grupos mercenários financiados por Israel que buscam desestabilizar a região e impedir o andamento do processo de paz após a assinatura de um acordo de cessar-fogo (10/10).

Além de atacar jornalistas que realizam a cobertura da guerra e denunciam o genocídio perpetrado por Israel em Gaza, gangues armadas por Israel visam lideranças comunitárias e membros da sociedade civil palestina para criar divisões internas que possam ser exploradas por Israel. É conhecida a estratégia de “dividir para reinar” aplicada pelo colonialismo euro-americano em diferentes lugares do mundo e agora por Israel não só na Faixa de Gaza ou na Cisjordânia, mas no Líbano nos anos 1980, quando apoiaram grupos falangistas que realizaram uma série de massacres contra palestinos em solo libanês.   

O terrorismo sempre foi uma das principais estratégias de guerra de Israel contra os palestinos. Durante a Guerra Árabe-Israelense de 1948 as milícias israelenses incluíam o grupo Haganá e o Irgun, dois dos principais grupos paramilitares sionistas que mais tarde foram incorporados às Forças de Defesa de Israel. Figuras importantes da política israelense como Ariel Sharon e Menachem Begin que ocuparam o cargo de Primeiro-Ministro tiveram participações relevantes nessas milícias. À frente desses grupos e como chefes de governo foram ambos responsáveis em realizar massacres com a finalidade de alcançar objetivos políticos. Benjamin Netanyahu segue o mesmo caminho e seria mesmo o Sylvester Stallone malvadão de "Os Mercenários" na vida real?




domingo, 21 de setembro de 2025

Geopolítica no Youtube

Prof. Dr. Márcio José Mendonça

Preocupados com a difusão de fake news e material tendencioso que páginas e youtubers veiculam na internet sobre os mais variados temas de geopolítica, listamos canais e programas de análise de assuntos de geopolítica de comentaristas comprometidos com análises críticas. A lista abaixo inclui canais internacionais e brasileiros que podem ser acessados no Youtube:

 

Glenn Diesen Português: https://www.youtube.com/@GDiesenPT

Dialogue Works Português: https://www.youtube.com/@DialogueWorksPT

India & Global Left Português: https://www.youtube.com/@IndiaGlobalLeftPT

Danny Haiphong Português: https://www.youtube.com/@DHaiphongPT

Syriana Analysis: https://www.youtube.com/@SyrianaAnalysis

Canal Multipolar TV: https://www.youtube.com/@canalmultipolartv

Canal da Geopolítica: https://www.youtube.com/c/CanaldaGeopol%C3%ADtica

Rogério Anitablian: https://www.youtube.com/c/Rog%C3%A9rioAnitablian

GeoSmartNews: https://www.youtube.com/@GeoSmartNews

Plano Brasil: https://www.youtube.com/@Blogplanobrasil

Pepe Café: https://www.youtube.com/@pepecafe

Programa Pepe Escobar (TV 247): https://www.youtube.com/playlist?list=PL9AEHeaYiogITbMbvWgUckBFvOGVA5dpd

Arte da Guerra: https://www.youtube.com/@ARTEDAGUERRA

Programa Análise Internacional com Rui Costa Pimenta: https://www.youtube.com/playlist?list=PL6mJOXeVZnXWhTNYlkwpGfcav4sQ8TE87

Geopolítica e História Militar: https://www.youtube.com/@historiamilitaremdebate3308

Falando Geral Canal: https://www.youtube.com/@falandogeral

Oriente Médio em Revista: https://www.youtube.com/@orientemedioemrevista 




domingo, 24 de agosto de 2025

Genocídio e solução final em Gaza

 Prof. Dr. Márcio José Mendonça

Veterano de guerra norte-americano denúncia o programa de Ajuda Humanitária em Gaza como a última fase do genocídio palestino. Anthony Aguilar, um ex-combatente que esteve em vários cenários de guerra e que também esteve recentemente prestando serviços em pontos de ajuda humanitária no sul de Gaza, detalha como a Força de Defesa de Israel controla a distribuição de ajuda humanitária com o propósito de maximizar o extermínio de civis. Para mais detalhes assista “Anthony Aguilar revela crise humanitária em Gaza: por dentro dos pontos de ajuda” acessando: https://www.youtube.com/watch?v=goF14yH-XYc (Fonte: India & Global Left Português).




domingo, 3 de agosto de 2025

Dronefobia: pânico de drones e traumas de guerra

 Prof. Dr. Márcio José Mendonça*

Qualquer pessoa que tenha mais de trinta anos deve lembrar-se que a ideia de uma aeronave que sobrevoa a baixa altura e que pode atacar alvos em solo não é uma novidade da guerra do século XXI. Antes disso a aparição de um drone, retratado no cinema hollywoodiano, em 1991, no filme “Exterminador do Futuro 2: o julgamento final”, mostra possivelmente a primeira aparição, em público, de um drone militar. Numa cena apocalítica do filme vemos máquinas caçando e eliminando humanos e um drone sobrevoando e iluminando o campo de batalha enquanto procura combatentes e dispara lasers contra alvos inimigos. Aquilo representado no cinema nos idos dos anos noventa já não é ficção em nossos dias.

Na Ucrânia ou na Faixa de Gaza os drones transformaram os sons comuns de qualquer cidade – carros, motos, cortadores de grama, ares-condicionados – em medos e insegurança permanente que soldados e civis, em áreas de conflito, estão sujeitos todos os dias. O terror psicológico provocado pelos Drones FPVs, pequenos e portáteis, já não está restrito à linha de frente e seus efeitos já são notáveis em combatentes e civis que vivem em cidades atacadas ou sob vigilância de drones. O medo de drones, a “dronefobia”, pode ser desencadeada por uma série de ruídos urbanos comuns, em que qualquer som mecânico que produza um zumbido semelhante ao de um drone, produz sensação de insegurança ou até mesmo pânico coletivo em pessoas sob efeito psicológico da dronefobia.

Na guerra moderna ataques aéreos e a capacidade de aeronaves de manipular o ambiente e criar uma modalidade de terror aéreo, é descrita por Sloterdijk (2009) como um tipo de terrorismo atmosférico, que ele chama de atmoterrorismo. Com os drones o atmoterrorismo amplia o campo de batalha no tempo e no espaço, da linha de frente e presença de soldados no campo de batalha, aos espaços e tempos da vida cotidiana incluindo civis e combatentes, todos agora envolvidos sob constante ameaça com a ampliação da escala e modalidades de ação dos drones. Assim, os drones alcançam e atingem espaços e experiências da vida ordinária, além do campo de batalha, produzindo efeitos e traumas de guerra que cruzam fronteiras e são mais duradores em soldados e não-combatentes vítimas do atmoterrorismo e dos efeitos psicológicos do medo de drone, a dronefobia.

*Autor de “Espaço de batalha e urbicídio na cidade do Rio de Janeiro” (2022) e “Guerra dos drones: análise e perspectiva do campo de batalha” (2025). 


Referências:

GUNTER, Joel. ‘Dronefobia’: o trauma de soldados que retornam da guerra na Ucrânia. BBC News Brasil, 2 ago. 2025. 

MENDONÇCA, Márcio José. Guerra dos drones: análise e perspectiva do campo de batalha. São Paulo: Dialética, 2025. Link de acesso: https://loja.editoradialetica.com/tecnologias/guerra-dos-drones-analise-e-perspectiva-do-campo-de-batalha-1244257741?srsltid=AfmBOopjiGxHYhO_MK8-koXUXtgSy0y78CyWF1EtKkoEN6q5JD_wFWQo

SLOTERDIJK, Peter. Terror from the air. New York: Semiotext, 2009. 


 

sábado, 12 de julho de 2025

Hamas: túneis e resistência em camadas no ambiente urbano


Prof. Dr. Márcio José Mendonça

    Embora seja incerto dar a dimensão exata da rede de túneis do Hamas, especula-se que sua estrutura pode alcançar até 500 km de extensão, com os túneis mais profundos podendo chegar a 70 metros de profundidade. Diferentes dos túneis que atravessam a fronteira de Gaza com a finalidade de invadir o território israelense, os túneis no interior de Gaza estão equipados com eletricidade, iluminação e trilhos para assegurar a presença de militantes em seu interior por longos períodos. O Hamas usa esses túneis para escapar da observação e dos ataques israelenses, concentrando equipamentos e seu quartel-general no interior deles. Mesmo Israel enfrentando a estrutura dos túneis de Gaza há bastante tempo, ainda não conseguiu inutilizá-los.*

    Inicialmente projetados para burlar o cerco em Gaza, os túneis atendiam a necessidade de ligar os dois lados da fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza, em particular a cidade de Rafah, cortada ao meio pelo muro de separação na fronteira. Dessa forma, além de suprir as necessidades econômicas e comerciais, abastecendo a população de Gaza, os túneis possibilitavam que os palestinos mantivessem contato com familiares de ambos os lados do muro. Além da função de abastecimento e comércio, os túneis de Gaza, segundo Weizman (2025),** têm origem ligada à técnica de escavação de águas profundas praticada por antigas tribos locais. Sendo a disponibilidade de água na Faixa de Gaza muito escassa, tribos palestinas desenvolveram técnicas muito eficientes de escavar o subsolo à procura de água em profundidades de até cem metros.

    Assim, os túneis de Gaza na fronteira surgem da necessidade de ligação com o mundo exterior a partir da combinação de técnicas de escavação de poços profundos com as rotas comerciais, que percorrem a região e ligam Gaza, desde tempos antigos, a lugares muito distantes, estendendo-se do norte da África, na costa da Líbia, ao Eufrates, no atual Iraque. Da técnica de escavar poços profundos aliada à vocação para o comércio, surgiu a engenhosidade dos túneis como projeto de luta anticolonial, combinando conhecimentos indígenas, aproveitamento das rotas de comércio e a luta armada palestina.

    Como se sabe os túneis eram de famílias palestinas que não tinham ligação com grupos armados e muito menos propósitos militares. No entanto, a Faixa de Gaza há muito tempo é sinônimo de cerco; por isso os túneis passaram a ser instrumentos de luta contra as medidas de bloqueio. Lembra Weizman (2025) que na história das guerras de cerco os túneis são a maneira de contornar o cerco e de abastecer uma cidade sitiada. Antes de tudo, a utilização de túneis é uma maneira de chegar à retaguarda de um exército e atacá-lo de onde menos se espera. Sua engenharia representa uma forma de sobreviver ao bloqueio.

    De rotas comerciais, os túneis de Gaza tornaram-se meios para atacar os israelenses. Concretamente, foram feitas escavações sob as bases militares do inimigo com o objetivo de sequestrar soldados e colocar bombas debaixo de suas bases. Essa mudança de finalidade de tais rotas só ocorreu quando, em 2007, o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza. Logo suas lideranças perceberam o potencial dos túneis e a oportunidade de organizar uma resistência baseada em camadas a partir de uma extensa rede rizomática de túneis, que permite o tráfego e abastecimento de material bélico para o seu interior, além da própria projeção de poder em ações de sabotagem ou até mesmo de ataque contra guarnições israelenses próximas da fronteira de Gaza. Se na Primeira Guerra Mundial, no cenário de guerra de trincheiras, eram os mineiros que escavavam túneis e colocavam explosivos sob as linhas alemãs, cem anos depois são os combatentes do Hamas que estão a usá-los como uma estratégia de resistência.

    Muito da capacidade palestina de resistir e de sobreviver e, acima de tudo, de ser um desafio militar real às forças israelenses tem a ver com a rede de túneis de Gaza. Este projeto arquitetônico que tem origem no conhecimento local e que surgiu como uma rede social, que conecta superfície e profundidade com milhões de nós e suas conexões, permite a Gaza não só respirar, mas também lutar e resistir às forças de ocupação israelense. Túneis que inicialmente foram escavados entre a fronteira do Egito e da Faixa de Gaza têm sido usados para o contrabando de uma variedade de itens e constituído uma das principais linhas de fornecimento de armas, explosivos e recrutas armados para a resistência palestina. Além da necessidade de ligação com o mundo externo, por conta do bloqueio de Gaza, os túneis configuram uma verdadeira rede de comunicação, que permite aos membros do Hamas se locomoverem por bairros e áreas de difícil acesso de Gaza, permanecendo móveis e operantes no espaço subterrâneo (WEIZMAN, 2012; 2025).

    Conhecido como Metrô de Gaza ou Gaza Inferior, mais do que abrigar combatentes e equipamentos militares, o sistema de túneis é composto por estruturas de concreto reforçado, água canalizada e ambientes climatizados. Essas estruturas aparentemente são fortes o suficiente para resistir à maioria dos ataques aéreos de Israel. A maioria dos túneis possuem diversos pontos de acesso e rotas, partindo de casas, edifícios, campos abertos e plantações. Suas principais rotas convergem para uma rota principal e ramificam-se novamente em várias passagens separadas que levam a diferentes pontos dentro e fora de Gaza, para o Egito e até mesmo para Israel. Dessa forma, se uma entrada é descoberta e desligada ou um túnel desmorona, outros podem continuar a ser utilizados e novos túneis de acesso podem ser escavados e conectados com a rota principal (WEIZMAN, 2012; 2025).

    Israel acusa frequentemente o Hamas de escavar túneis em Gaza por baixo de escolas, mesquitas ou hospitais. Assim, os israelenses alegam que os grupos armados palestinos usam instalações civis para fins militares. Embora, na maioria das vezes, Israel não apresente provas contundentes dessa prática, uma vez que o espaço urbano está sendo utilizado como campo de batalha e os conflitos ocorrem em todos os lugares, seja pela resistência palestina a se entrincheirar no espaço urbano seja pelo ataque indiscriminado de Israel às cidades palestinas, instalações e edifícios civis acabam fazendo parte, de uma forma ou de outra, à dinâmica espacial do combate urbano. Com a função de ligar e estabelecer conexão entre rotas e pontos diferentes fora de Gaza e no seu interior, túneis interligados sob áreas urbanas permitem que os grupos palestinos se movam rapidamente entre posições de ataque e de defesa e, como amplamente divulgado na internet,*** podem ainda ser escavados rapidamente para abrir caminho para fugas ou ataques-surpresa.

    Os túneis são um elemento vital na estratégia de guerra do Hamas, que os usa para esconder e transportar foguetes, cujas plataformas de lançamento podem ser ocultadas ou montadas e desmontadas rapidamente, para evitar que suas posições sejam facilmente localizadas e atacadas por Israel. Embora sejam eficientes em desativar esses lançamentos por meio de sistemas de localização rápida, as forças israelenses têm dificuldade em desbaratar lançamentos feitos a partir de estruturas instaladas no interior do solo e de dentro de edifícios, o que dificulta sua identificação e destruição. Israel usufrui do controle do espaço aéreo naquela região; entretanto, seu sistema de defesa antiaéreo, conhecido como Iron Dome, tem enfrentado dificuldades com lançamentos múltiplos de foguetes vindos de Gaza, que, em ação combinada com outros artefatos, foram capazes de saturar as defesas antiaéreas e atingir áreas povoadas no interior do território israelense.****

    Além do uso dos túneis para dificultar a localização das posições de lançamento de foguetes, as estruturas construídas pelos palestinos possuem muitas outras serventias de uso no combate, podendo os túneis ser equipados com explosivos, funcionando, assim, como túneis-bomba. Por meio de câmeras instaladas nos túneis, a entrada de tropas israelenses pode ser facilmente notada e as armadilhas em suas seções internas podem, então, ser acionadas contra os intrusos. Agindo assim, as facções palestinas têm se beneficiado do emprego dos túneis no combate urbano em Gaza e, por meio de câmeras instaladas no terreno, que saem dos túneis como se fossem escotilhas, têm sido capazes de observar o campo de batalha em tempo real mesmo quando a movimentação dos soldados israelenses é restrita ao interior de casas e edifícios, dentro de estruturas urbanas; de modo geral, nesses lugares os combatentes palestinos também conseguem monitorá-los por meio de sistemas de câmeras combinadas, que mostram a posição exata dos soldados israelenses no interior dessas edificações.

    Com base em equipamentos de vigilância, o Hamas foi efetivo em coordenar as suas ações e capaz de realizar uma série de emboscadas e ataques-surpresas, detonando explosivos no interior de edifícios ou insurgindo na retaguarda do inimigo. Nessas ações, combatentes palestinos foram vistos em inúmeros vídeos saindo do interior de túneis, próximos de veículos israelenses, para atacar o inimigo com armas antitanques e instalar explosivos magnéticos nos blindados, que, acoplados à armadura, eram detonados por dispositivos remotos logo em seguida.

    Especialmente contra blindados israelenses, uma tática comum dos combatentes do Hamas consistiu em instalar explosivos improvisados na traseira de tanques. Como parte de sua característica e engenharia, tanques de guerra possuem a blindagem menos espessa na traseira; por isso, essa superfície é mais vulnerável, constituindo um ponto fraco, que os combatentes palestinos procuraram explorar a seu favor. Em tais ações, com propósito de atingir tanques, os combatentes palestinos se aproximavam dos blindados e depositavam cargas explosivas próximas da traseira do veículo, com o intuito de causar danos maiores com a detonação dos explosivos, e evacuavam rapidamente, antes que os pilotos dos tanques e soldados israelenses pudessem notar sua presença. Algumas vezes essas operações também eram acompanhadas de ação de combatentes palestinos equipados com armas antitanques, como presenciamos na Figura 1, na execução de uma operação do Hamas contra blindados israelenses.*****

    Em muitos dos ataques registrados em vídeos que se tornaram conhecidos pela divulgação e cobertura em grupos e nas redes sociais, as equipes atacantes são vistas saindo de túneis subterrâneos que dão acesso a áreas mais amplas e abertas, onde muitas das vezes se concentram os tanques, ou simplesmente atacavam realizando disparos do interior dos edifícios e de seus escombros, contando com a vantagem operacional de conhecimento do ambiente caótico, típico de uma batalha urbana. Ademais, em vídeos propagados na internet, insurgentes palestinos são vistos se movimentando no interior dos prédios, passando por janelas e buracos feitos nas paredes, uma tática usada anteriormente por soldados israelenses em operações urbanas. Em tais operações os israelenses se habituaram a romper paredes ou estruturas de laje, evitando, assim, circular em áreas abertas para não serem atingidos por atiradores ou fogo de infantaria.

    Muitas dessas táticas implicam preparo do terreno, e os defensores, apoiando-se no espaço urbano como dispositivo de defesa, também as empregavam como forma de ataque, realizando operações de sabotagem e ataques-surpresa a partir de vários níveis ou camadas, movendo-se da superfície do espaço urbano às camadas subterrâneas mais profundas do interior de Gaza. A ação combinada do espaço urbano e de estruturas subterrâneas em múltiplas camadas permitiu ao Hamas e a outras facções palestinas usar diferentes estratégias de resistência espacial, ao transformar a Faixa de Gaza em um espaço de resistência ante as ações de ocupação colonial de Israel. Assim, as contraestratégias palestinas para combater as forças israelenses definiram um conjunto de relações sociais e dinâmicas espaciais que delimitam e afirmam o controle palestino sobre uma área geográfica como território simbólico e de pertencimento; portanto, também de resistência. Este espaço, que na verdade consiste no campo de batalha, pode então ser entendido como um espaço de dimensões flexíveis e elásticas, ou seja, em sentido mais estratégico, em aspecto volumétrico, concebido, então, em termos específicos, de acordo com Weizman (2002, 2004, 2012), como volume político.****** Espaço esse organizado em razão de várias camadas, permitindo aos palestinos combater as forças israelenses. Por isso, agora, as forças invasoras buscam sua total destruição.

    No geral, esta forma de resistência espacial rizomática esteve apoiada no espaço urbano e demais estruturas subterrâneas profundas, constituindo um dispositivo de defesa descentralizado que se manteve funcional a partir de numerosas ramificações. Vale dizer, ainda, que o corpo rizomático******* funciona como um organismo que se modifica e se adapta às mais diversas situações do campo de batalha, ora contraindo-se, ora expandindo-se. Nesse aspecto, esse corpo rizomático também apresenta múltiplas entradas e saídas. Por estes meios, muitas vezes, os grupos palestinos alcançaram êxito e foram mais efetivos em situação de combate, preparando emboscadas e escavando túneis no andamento do conflito. Tais ações permitiram aos palestinos manter a circulação de seus ativos e conectar os nós do corpo rizomático em ações combinadas de resistência. Dessa forma, os palestinos foram capazes de implementar diferentes modos de luta armada e resistência em diferentes espaços e tempos no campo de batalha.

Figura 1

Filmagem de operação do Hamas contra tanques israelenses mostra ação combinada de emprego de armas antitanques e explosivos improvisados.


Emprego de armas antitanque e explosivos improvisados em operação de insurgência do Hamas contra a FDI em Rafah, sul de Gaza. Na filmagem dois combatentes palestinos avançam a partir de uma abertura no chão e, ao saírem de túneis subterrâneos, correm em direção aos tanques israelenses. No vídeo publicado pelo Hamas, soldados e tanques israelenses são marcados com cor vermelha, identificados como alvos, também com uma seta vermelha, enquanto os palestinos são identificados pela cor verde, em referência ao Hamas. Após instalarem explosivos na traseira de dois tanques, os combatentes rapidamente evadem o local por uma abertura, mesmo local onde assistimos um terceiro combatente aparecer portando uma arma antitanque, disparada na sequência contra um terceiro blindado israelense. Na filmagem, no momento em que os combatentes palestinos evadem o local pelo interior do túnel escutam-se ainda o estrondo da detonação dos explosivos instalados próximo aos tanques e o grito dos combatentes palestinos: “Allahu Akbar” – frase que em árabe significa “Alá é Grande” ou “Alá é o Maior”.

Fonte: Vídeo do Hamas repercutido em canal do Telegram, maio de 2024.

Referências

* Sobre a infraestrutura da rede de túneis do Hamas na Faixa de Gaza, conferir as matérias da BBC News Brasil, publicada em 13 de out. de 2023, “O labirinto de túneis em Gaza que o Hamas diz ser maior que o metrô de Londres”, com acesso disponível em <https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4nv2y7erx5o>. Verificar também “‘Teia de aranha’: o emaranhado de túneis do Hamas que põe Israel no escuro”, publicada pela Uol, 20 de nov. de 2023, disponível em <https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2023/11/20/o-emaranhado-de-tuneis-do-hamas-que-poe-israel-no-escuro.htm> e “‘Teia de aranha: como funciona a rede de túneis do Hamas em Gaza”, matéria de Felipe Barini e Renato Carvalho, publicada pelo O Globo, 16 de nov. de 2023, disponível no seguinte link <https://oglobo.globo.com/mundo/especial/teia-de-aranha-como-funciona-a-rede-de-tuneis-do-hamas-em-gaza.ghtml>.

** Conferir Eyal Weizman, “How Israel is engineering genocide and ethnic-cleansing in Gaza”, no canal Middle East Eye, 17 de abril de 2025, disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0GThjS5hySc&t=1800s>.

***Inúmeros vídeos de combates urbanos em Gaza filmados pelas forças israelenses e por facções palestinas circulam na internet por meio das redes sociais, em canais do Youtube, grupos de Telegram e páginas do Instagram, Facebook ou X. Não é possível citar e indicar todas as publicações ou fontes audiovisuais consultadas que serviram de material para os comentários e análises apresentadas ao longo do artigo. No entanto, uma fonte que reúne relevante parte do material audiovisual que circulou em diferentes grupos e redes sociais está disponível para consulta em “Breaking news and analysis on day of the Gaza’s Al-Aqsa Flood” no canal The electronic intifada, no Youtube. A maior parte desta pesquisa se baseou fundamentalmente nos programas entre os meses de outubro de 2023 e junho de 2025, mas o canal e o seu site oficial (<https://electronicintifada.net/>) proporcionam muito além do que foi possível consultar, sendo uma fonte quase inesgotável de informações. Para mais detalhes sobre as operações militares em Gaza com foco especial nas formas de resistência das facções palestinas, deve-se consultar as intervenções de Jon Elmer acessando o link do programa disponível aqui:  <https://www.youtube.com/@TheElectronicIntifada/streams>. Além de sua participação semanal nesse programa, Jon Elmer possui uma conta no X, local onde publica vídeos que naturalmente seriam censurados no Youtube. Para mais detalhes, acessar @jonelmer na rede social X.

**** O Iron Dome, ou Domo de Ferro, em português, é um sistema de defesa antiaérea desenvolvido por Israel com o objetivo de interceptar mísseis de curto alcance e bombas de artilharia disparados de 4 a 70 quilômetros de distância visando áreas povoadas de seu território. Recentemente os foguetes Qassam, fabricados pelo Hamas e popularizados em Gaza, têm sido capazes de superar as defesas do Iron Dome, algo improvável até há pouco tempo. Um vídeo interessante do canal Sala de Guerra mostra como funciona o foguete Qassam do Hamas. Para mais detalhes, consultar “Como funciona o foguete Qassam do Hamas”, 15 de nov. de 2023, no Youtube. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=A1FDRPyRl-w>.

***** Imagens da operação militar do Hamas presentes nas Figura 1, obtidas em grupos do Telegram, também constam nas análises de Jon Elmer no programa “Breaking news and analysis on day of the Gaza’s Al-Aqsa Flood”, no canal The electronic intifada, no Youtube.

****** Volume político é o termo usado por Weizman (2002, 2004, 2012) para fazer menção às estruturas e aos objetos que não apenas dividem o espaço, mas também funcionam como sistemas ópticos de controle a partir de uma matriz militar disposta em volume, ao invés de, no sentido mais convencional, superfície ou área.

******* Sobre o conceito de rizoma em uma concepção mais ampla, ver Deleuze e Guattari, “Mil platôs – capitalismo e esquizofrenia”, v. 1, 1995.

WEIZMAN, E. Hollow land: Israel’s architecture of occupation. Nova York: Verso, 2012.

______. Strategic points, flexible lines, tense surfaces, and political volumes: Ariel Sharon and the geometry of occupation. In: GRAHAM, S. (Org.). Cities, war and terrorism: towards an urban geopolitics. Oxford: Blackwell Publishing Ltd, 2004. p. 172-191.

______. The politics of verticality. Open Democracy. Londres, RU, texto de 11 partes disponibilizado entre 23 de abril e 1º de maio de 2002. Disponível em: <http://www.opendemocracy.net/>. Acesso em: 26 mar. 2014.

 


sexta-feira, 6 de junho de 2025

O terror aéreo e o campo de batalha

Prof. Dr. Márcio José Mendonça 

O avião tem permitido práticas culturais inteiramente novas e violentas, que transformaram a percepção e vivência que possuímos do mundo, aplicando políticas de guerra e de segurança de cima para baixo (ver ADEY, WHITEHEAD, WILLIAMS, 2013). Adey (2010), importante pesquisador do tema da aviação, destaca: com efeitos espaciais expressivos, “o espaço tem sido produzido, transfigurado e formado através da tecnologia do avião” (p. 6, tradução livre), criando novos significados e percepções da vida, sendo as pessoas ameaçadas por novas produções do espaço aéreo.

Essa capacidade de produzir terror aéreo não é algo tão recente. Sloterdijk (2009) lembra que na I Guerra Mundial, embora o avião fosse pouco utilizado, o espaço aéreo foi manipulado como arma de guerra. Ele ainda destaca que 22 de abril de 1915 marca o registro da primeira guerra de gás venenoso, quando nuvens de fumaça amarela subiram das trincheiras alemãs em direção às divisões francesas, causando pânico na linha de defesa francesa. Não por acaso, Sloterdijk considera que “o século XX será lembrado como a era cujo pensamento essencial consistiu em atingir não mais o corpo, mas o ambiente do inimigo” (2009, p. 14, tradução livre). Ao afirmar isso, ele lembra Shakespeare, para enfatizar que se considera a vida de outra pessoa tomando o meio pelo qual ela vive. Valendo-se disso, Sloterdijk conclui que, ao destituir a população de ar, impedindo-a de respirar, e arrebatar-lhe o ambiente indispensável à manutenção da vida, o agressor almeja privar o inimigo de um meio de sobrevivência. 

Na guerra moderna, se o “corpo do inimigo não pode mais ser liquidado com impactos diretos, em seguida, o atacante é forçado a tornar impossível a existência contínua do inimigo, por sua imersão direta em um ambiente inviável por um período suficientemente longo” (SLOTERDIJK, 2009, p. 15, tradução livre). Exemplo disso foi o fato de que, ainda na I Guerra Mundial, os soldados entrincheirados tornaram-se inacessíveis a armas convencionais: daí Sloterdijk salientar a descoberta do ambiente como um meio pelo qual se pode fazer a guerra, usando gás venenoso a fim de atingir as tropas, afetando as condições físicas do ambiente e, por conseguinte, as funções vitais do inimigo.

Ademais, Sloterdijk (2009) verifica que, na operação de ambientes artificiais para atacar as fragilidades biológicas dos adversários, a manipulação do ambiente age no sentido de criar uma modalidade de terrorismo atmosférico, que assume a forma de assalto às condições de “vida ambientais”. Por isso ele chama de atmoterrorismo a criação de ambientes artificiais para atingir os corpos e, mais precisamente, o sistema respiratório dos inimigos. Aviões militares também estariam, portanto, inseridos nessa lógica, ao provocarem pânico e destruição no ambiente de sobrevivência do inimigo. A cidade, principal alvo dessa modalidade de ataque, foi, segundo Graham (2004a; 2004b; 2011), objeto de ataques que, destinados a eliminar formas de vida humana, impuseram à cidade estratégias de guerra implicadas em desmodernização forçada, destruindo a infraestrutura urbana que possibilita a vida na cidade.

Durante a II Guerra Mundial os bombardeiros estratégicos haviam adquirido uma capacidade de destruição nunca vista antes, sendo empregados com capacidade de “alcançar ‘paralisia estratégica’, através da destruição dos sistemas de transporte, infraestruturas de água e de eletricidade e redes de comunicações” (GRAHAM, 2011, p. 266, tradução livre). Como destacou Graham, o bombardeio foi visto e empregado, com crescente frequência, como arma de guerra para reverter as cadeias de estágio de evolução econômica, levando as cidades atingidas de volta para a idade do carvão.

Todo esse potencial para a destruição e extermínio em massa foi demonstrado nos bombardeios de Dresden, Hamburgo e Tóquio, quando cidades inteiras sumiram do mapa. “A bomba atômica completou esta nova vulnerabilidade da cidade: aglomerações urbanas e populações inteiras foram destruídas instantaneamente em Hiroshima e Nagasaki”, lembra Martin Shaw (2004, p. 142, tradução livre). Com o aparecimento dos bombardeiros, a aviação militar havia se tornado uma arma capaz de levar ao extermínio instantâneo milhares de pessoas sem nenhum tipo de envolvimento direto com a guerra. Envolta por um olhar holográfico, a guerra no século XX foi travada em espaço tridimensional, e os ataques aéreos, desde a Blitz sobre Londres até os ataques terroristas de 11 de setembro – destacando-se o uso do avião-robô não tripulado em Gaza, no Afeganistão e no Iraque –, muito além de possibilidades de maior mobilidade, vieram a provocar terror, destruição e morte, através do emprego de aeronaves em operações militares (ADEY, 2010).

Nos ataques aéreos de 2003 sobre Bagdá, as operações do tipo “Choque e Pavor” tiveram objetivo estratégico e psicológico, já que buscavam:

[...] atingir diretamente os nós-chaves nas redes que sustentavam o complexo político-militar de Saddam Hussein, bem como a mais ampla moral do Iraque. [...]. Para isso, necessitou-se do uso de armas aéreas, que poderiam percorrer longas distâncias, em oposição às forças terrestres de territorialidade mais limitada, que exigem proximidade com os seus alvos antes de golpear. Se disparados por navios ou lançados de aviões, Choque e Pavor foi, portanto, concebido como um ataque vertical em que as chamadas “munições de precisão” choveram sobre locais-chaves no Iraque. Por outro lado, este assalto foi concebido como uma guerra espetacular. [...]. Para ter um efeito sobre o moral, Choque e Pavor teve de ser consumido pelos circuitos visuais dos canais de notícias (COWARD, 2013, p. 96-97, tradução livre).

Por meio desse método, os bombardeios tiveram, portanto, objetivo não apenas de destruir alvos estratégicos, mas também de provocar medo e paralisia, levando o inimigo à capitulação. Fadiga e paranoia foram efeitos provocados propositalmente no adversário para causar-lhe impotência, como observa Adey (2010). Essa estratégia não é uma novidade. Ainda no Iraque, muito antes da invasão norte-americana, lembra Weizman (2012), os ataques aéreos foram empregados em bombardeios capazes de possibilitar um desfecho rápido da guerra, e numa velocidade atroz foi difundido o terror no espaço, graças a um sistema de comunicação altamente eficiente e totalmente integrado à tática de “colonização ou ocupação” aérea do território.

No início da década de 1920, Winston Churchill, na época ministro da Guerra e do Ar do governo britânico, ficou impressionado com o que percebeu ser uma forma de controle colonial por meio do poder aéreo. De acordo com Weizman (2012), Churchill vendo o potencial da aviação como recurso de guerra, logo persuadiu o governo de seu país a investir na Força Aérea Real para assumir o controle da Mesopotâmia, atual Iraque, ao invés de utilizar grandes contingentes do Exército. Esse método foi empregado novamente pelos britânicos contra grupos revolucionários na Somália, no Egito, no Sudão, na Índia, na Palestina (durante a revolta de 1936–1939), no Afeganistão, em Jalalabad e em Cabul, antecipando a lógica de assassinatos praticados atualmente por drones.


Márcio José Mendonça é autor, entre outros livros e trabalhos, do recém lançado “Guerra dos Drones: análise e perspectiva do campo de batalha” (Editora Dialética) – Link: https://loja.editoradialetica.com/tecnologias/guerra-dos-drones-analise-e-perspectiva-do-campo-de-batalha-1244257741?srsltid=AfmBOooIOK4n-M-V3y2hSC4kmYHQ-Gc4WkQ-td7au6q18oM8QkBly3lc

 

Referências:

ADEY, Peter. Aerial life: spaces, mobilities, affects. Oxford: Wiley-Blackwell, 2010.

ADEY, Peter; WHITEHEAD, Mark; WILLIAMS, Alison J. Introduction: visual culture and verticality. In: ____ (Orgs.). From above: war, violence, and verticality. Nova York: Oxford University Press, 2013, p. 1-16.

COWARD, Martin. Networks, nodes and de-territorialised battlespace. In: ADEY, Peter; WHITEHEAD, Mark; WILLIAMS, Alison J. (Orgs.). From above: war, violence, and verticality. Nova York: Oxford University Press, 2013, 95-117. 

GRAHAM, Stephen. Cities as strategic sites: places annihilation and urban geopolitics. In: ____(Org.). Cities, war and terrorism: towards an urban geopolitics. Oxford: Blackwell Publishing Ltd., 2004a. p. 31-53.

______. Cities under siege: the new military urbanism. Londres: Verso, 2011.

______. Constructing urbicide by bulldozer in the occupied territories. In: ____. Cities, war and terrorism: towards an urban geopolitics. Oxford: Blackwell Publishing Ltd., 2004b. p. 192-213.

SHAW, Martin. New wars of the city: relationship of “urbicide” and “genocide”. In: GRAHAM, Stephen (Org.). Cities, war and terrorism: towards an urban geopolitics. Oxford: Blackwell Publishing Ltd., 2004, p. 141-153.

SLOTERDIJK, Peter. Terror from the air. New York: Semiotext, 2009.

WEIZMAN, Eyal. Hollow land: Israel’s architecture of occupation. Nova York: Verso, 2012.

 

 


sábado, 10 de maio de 2025

Guerra dos Drones: análise e perspectiva do campo de batalha

LAÇAMENTO E DIVULGAÇÃO!

Márcio José Mendonça 

    A guerra dos drones já começou, e o aumento do emprego desses equipamentos no campo de batalha está modificando sensivelmente a maneira como combatentes lutam no terreno e como os civis sobrevivem a sua ação, em ambiente de combate moderno, nos conflitos atuais. Dos campos de batalha da guerra na Ucrânia ao conflito israelo-palestino, os drones estão desempenhando papel de destaque nas operações militares em diferentes cenários.

    Com a introdução dos drones em grande escala nos campos de batalha e com a inovação em matéria de emprego de meios militares que os equipamentos dronificados proporcionam, sua capacidade como arma de guerra em termos estratégicos, táticos e operacionais dispõe os drones como recurso tecnológico indispensável para qualquer força militar. Os drones estão mudando a realidade da guerra e impulsionando profundas transformações no campo de batalha do século XXI.


Link: https://loja.editoradialetica.com/loja/produto.php?loja=791959&IdProd=1244257741&iniSession=1&hash=255726234 

Geopolítica da Copa: Argentina

Prof. Dr. Márcio José Mendonça A Geopolítica , enquanto campo de análise das relações de poder entre Estados, territórios e atores globais, ...