sábado, 21 de fevereiro de 2026

Geopolítica dos Jogos de Inverno 2026

 Prof. Dr. Márcio José Mendonça

Ao longo do século XX e início do XXI, os Jogos Olímpicos consolidaram-se não apenas como um evento esportivo global, mas também como um palco privilegiado de disputas geopolíticas. Durante a Guerra Fria, as tensões entre os Estados Unidos e a União Soviética transformaram as medalhas em símbolos de supremacia ideológica, científica e militar, evidenciando como o esporte era mobilizado para afirmar modelos políticos antagônicos. Boicotes, campanhas de propaganda e a instrumentalização do desempenho atlético revelaram que as olimpíadas estavam longe de ser neutras. Na contemporaneidade, essa dimensão política permanece evidente, como demonstra a atual proibição da participação da Rússia nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026, reforçando que, mesmo sob o ideal de união entre os povos, o evento continua atravessado por interesses estratégicos e conflitos internacionais.

A proibição da Rússia em competições internacionais em razão da invasão da Ucrânia expõe o modo como sanções esportivas são mobilizadas como instrumentos de pressão política. Contudo, essa medida também suscita debates sobre a coerência e a universalidade desses critérios, uma vez que normas semelhantes não foram aplicadas a outros Estados envolvidos em intervenções militares controversas nas últimas décadas. Os Estados Unidos, por exemplo, lideraram a invasão e ocupação do Iraque em 2003 e do Afeganistão em 2001, ações amplamente questionadas pela comunidade internacional. De modo semelhante, Israel enfrenta acusações de genocídio relacionadas às operações militares na Faixa de Gaza. A disparidade nas punições evidencia como o sistema esportivo internacional, longe de operar em um vácuo político, reflete assimetrias de poder e interesses geopolíticos que moldam a aplicação seletiva de sanções.

O exemplo dos atletas russos de patinação no gelo é ilustrativo do problema.  Os atletas foram diretamente afetados pelas sanções impostas no contexto da guerra com a Ucrânia, enfrentando suspensão de quatro anos das competições internacionais e participação severamente limitada nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, com número reduzido de representantes. Além disso, foram submetidos a restrições simbólicas e institucionais, como a proibição do uso da bandeira nacional e da execução do hino, bem como limitações técnicas que dificultaram a presença e a atuação de seus treinadores nas competições. Para críticos dessas medidas, tais imposições configuram uma manobra antidesportiva que penaliza atletas individuais por decisões estatais, não atendendo a critérios humanitários ou pacíficos, mas refletindo antes uma dinâmica de punição inserida nas disputas geopolíticas contemporâneas e nos interesses das potências ocidentais.

O caso da patinadora russa Adeliia Petrosian, tricampeã nacional, tornou-se emblemático no debate sobre os impactos das sanções esportivas, já que seu desempenho no programa longo vinha sendo apontado por analistas como tecnicamente superior ao de suas concorrentes internacionais. A exclusão de atletas russas das competições globais impediu que ela disputasse títulos em igualdade de condições, diferentemente do que ocorreu com suas compatriotas em ciclos anteriores, como Adelina Sotnikova, campeã olímpica em 2014, Alina Zagitova, campeã em 2018, e Anna Shcherbakova, protagonista e grande vencedora em 2022. Todas elas dominaram o circuito internacional em suas épocas, consolidando a hegemonia russa na modalidade. Petrosian, entretanto, ao ser excluída das principais competições e submetida a restrições decorrentes das punições impostas ao país, acabou prejudicada direta ou indiretamente, vendo limitada a possibilidade de afirmar seu potencial técnico no cenário olímpico.

Diante desse cenário, os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 evidenciam como o ideal de neutralidade esportiva é tensionado por decisões que muitos interpretam como marcadas por seletividade e interesses geopolíticos. A exclusão e as restrições impostas a determinados países reforçam a percepção de que a imparcialidade proclamada pelo movimento olímpico convive com práticas que podem ser compreendidas como formas de perseguição política, revelando que, mesmo sob o discurso da paz e da união entre os povos, o esporte internacional permanece profundamente atravessado pelas disputas de poder do sistema global.



quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Guerra Híbrida no Irã

Prof. Dr. Márcio José Mendonça

    A guerra híbrida, conforme explorada por Andrew Korybko em Guerras Híbridas: das revoluções coloridas aos golpes, representa uma forma contemporânea de conflito em que estratégias tradicionais de guerra se combinam com meios não convencionais de influência política e social para desestabilizar Estados soberanos. Korybko argumenta que esse “novo” método, amplamente associado à ação dos Estados Unidos, integra revoluções coloridas — movimentos populares estimulados e instrumentalizados externamente — com técnicas de guerra assimétrica e de quarta geração, criando um “caos estruturado” que visa controlar ou substituir governos sem confrontos militares abertos. Sua análise ressalta ainda a importância das mídias sociais, propaganda e financiamento de atores internos como ferramentas centrais dessa dinâmica, que redefine o campo geopolítico no século XXI longe dos campos de batalha tradicionais.

    Os protestos recentes que eclodiram no Irã, impulsionados por uma combinação de fatores econômicos, insatisfação social e repressão estatal, ilustram como crises internas podem ser interpretadas através da lente da guerra híbrida, na qual atores externos e dinâmicas domésticas se entrelaçam de maneira complexa. Enquanto movimentos populares nas ruas reivindicam mudanças profundas no sistema econômico, o regime em Teerã classifica essas manifestações como resultados de interferências estrangeiras, especialmente de potências ocidentais, cujo objetivo seria desestabilizar o regime por meio de ferramentas de influência política, propaganda e apoio indireto a grupos dissidentes — elementos típicos das estratégias híbridas descritas por Korybko ao misturar causas internas com pressões externas de maneira a criar um “caos estruturado”.

    Dentro desse contexto, as táticas estatais e não estatais que se sobrepõem — como a censura e cortes de internet para controlar a narrativa, o uso de redes sociais para mobilizar protestos, e a acusação mútua de manipulação informacional, além do uso de violência para desestabilizar o país — revelam uma arena de disputa que vai além das ruas das cidades iranianas e alcança cenários geopolíticos mais amplos. A resposta muitas vezes violenta do governo e a repressão generalizada, que já resultou em milhares de presos políticos é reportada pelos Estados Unidos e no Ocidente, como ação de um governo opressor de uma ditadura teocrática, enquanto que mortes e tumultos causados por (supostos) agentes estrangeiros infiltrados no país, são negligenciados em prol de uma narrativa que procura rotular o governo iraniano como antidemocrático. Iraque, Líbia, Síria e agora o recente caso venezuelano com o sequestro do presidente Nicolás Maduro, fornecem exemplos da política de intervenção dos Estados Unidos em regiões de interesse estratégico, onde os norte-americanos desejam controlar recursos e fontes energéticas, entre outros objetivos da política estadunidense.

    Agora o Irã é o alvo da vez. Em junho de 2025, na chamada Guerra dos 12 dias entre Irã e Israel, mencionada por alguns analistas para descrever um período de escalada intensa de confrontos diretos e indiretos, evidencia a transição de um conflito historicamente encoberto para uma dinâmica mais aberta de confronto regional. Nesse intervalo, ataques pontuais, operações de retaliação, ações cibernéticas e disputas no campo discursivo revelaram características típicas da guerra híbrida, na qual instrumentos militares convencionais se combinam com inteligência, sabotagem, pressão diplomática e controle da informação. Mais do que um embate limitado no tempo, esse episódio simboliza o aprofundamento do confronto estratégico contra o Irã, a partir dos ataques dos Estados Unidos às usinas nucleares daquele país. Segundo análises geopolíticas, Washington teria priorizado estratégias indiretas — como sabotagens, ataques cibernéticos, pressão diplomática e sanções — com o objetivo de atrasar o programa nuclear do Irã sem desencadear um conflito aberto de grandes proporções. No entanto, aparentemente, a questão nuclear iraniana tornou-se um dos principais eixos da disputa estratégica no Oriente Médio, em que a coerção tecnológica, a dissuasão e o controle da narrativa internacional se combinam com ações diretas de intervenção militar, com os Estados Unidos ameaçando o governo iraniano de bombardeios, numa clara tentativa de derrubar o regime.

    Uma tarefa que provavelmente exigirá mais do que ações pontuais dos norte-americanos, diante da legitimidade e apoio popular ao regime, transformando o que começou como um protesto limitado de ordem econômica, em um levante social cujo os cenários de combate são o campo de batalha narrativo e político que se assemelha às características da guerra híbrida: uma luta que ocorre simultaneamente no plano interno e internacional, envolvendo coerção, informação e influência estratégica. Um verdadeiro tabuleiro geopolítico do Oriente Médio, no qual alianças, dissuasão e mensagens políticas são tão relevantes quanto os danos materiais produzidos no campo de batalha.

Referências:

Korybko, A. Guerras híbridas: das revoluções coloridas aos golpes. São Paulo: Expressão Popular, 2018.

Seyed M. Marandi: tumultos violentos e uma grande guerra a caminho. Glenn Diesen Português, no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=hiAszA-k2Ng&list=LL&index=2




quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Batalha de Gaza: Israel vs Palestina (Lançamento e Divulgação)

Prof. Dr. Márcio José Mendonça

Israelenses e palestinos estão em conflito há várias décadas e, nos últimos anos, a experiência de guerra entre eles tem sido caracterizada por uma significativa evolução em estratégias e táticas voltadas para sua aplicação em terreno urbano, incluindo a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e o território libanês. Desde a invasão do Líbano, em 1982, após as pesadas baixas sofridas pelas Forças de Defesa de Israel (FDI), que combateram em cidades e aldeias palestinas, os combates entre Israel e a resistência árabe-palestina, que antes se desenvolviam em campo aberto (a exemplo dos conflitos de 1948, 1967 e 1973), passaram a ocorrer especialmente em cidades. Essa mudança do ambiente de batalha, do campo aberto para as cidades, foi então compreendida como parte do processo de urbanização da guerra, em que forças de libertação nacional, com menor capacidade militar frente a exércitos convencionais bem equipados, entrincheiram-se nas cidades, passando a usar o espaço urbano como abrigo e campo de batalha.

Com ênfase na guerra em ambiente urbano, este livro aborda os meios militares empregados na guerra entre Israel e grupos armados palestinos, deflagrada em 7 de outubro de 2023, após o Hamas romper o bloqueio de Gaza e realizar uma operação militar em território ocupado por Israel. Por causa do ataque palestino, Israel respondeu severamente com bombardeiros e ação terrestre, escalando o conflito na medida em que os principais combates se desenvolviam essencialmente no cenário urbano da Faixa de Gaza. Na perspectiva em análise, ao levar em consideração as diferentes manifestações do conflito, o livro objetiva caracterizar as variáveis táticas de combate empregadas por Israel e pelos grupos palestinos, com o propósito de compreender as dinâmicas socioespaciais implicadas no conflito e as formas como diferentes táticas e concepções de combate urbano foram empregadas no terreno e configuraram o cenário do espaço de batalha na Faixa de Gaza.

Embora considere as principais ações militares no terreno e apresente um enfoque do cenário geopolítico como pano de fundo de debate do livro, dando conta dos dois últimos anos de conflito entre israelenses e palestinos – de 7 de outubro de 2023 ao avanço de uma nova fase de negociações com a implementação de um segundo acordo de cessar-fogo, em vigor desde 10 de outubro de 2025, o livro propõe uma análise espacial fundada em uma investigação das trajetórias e dinâmicas socioespaciais (e territoriais) dos grupos armados palestinos contra as forças israelenses, na Faixa de Gaza, com foco mais detido nos acontecimentos de 7 de outubro de 2023 ao cabo da assinatura do primeiro acordo de cessar-fogo entre o Hamas e o governo de Israel, em 19 de janeiro de 2025.

Ao longo de dois anos de conflito, embora o número de baixas seja difícil de calcular e impreciso diante de várias variáveis, do lado palestino estimativas mais conservadoras de pesquisadores internacionais e agências ligadas às Nações Unidas contabilizavam, em outubro de 2025, mais de 80 mil mortes entre civis e combatentes, podendo este número superar facilmente 100 mil baixas, em virtude dos registros falhos, de novas “descobertas” ou de consequências da guerra difíceis de mensurar no momento. No geral, além das baixas humanas, que incluem expressivo número de não-combatentes mortos ou desaparecidos, sobretudo mulheres e crianças palestinas, o conflito deixou um saldo material de destruição do território da Faixa de Gaza que acumula de 85 mil a 92 mil toneladas de destroços. De acordo com Ualid Rabah, a destruição em Gaza atinge 80% da infraestrutura, contabilizando cerca de 192 mil edifícios destruídos, o equivalente a “quatro ou cinco vezes a cidade de São Paulo completamente arrasada”.

Ao centrar sua abordagem na dinâmica espacial e nas formas e táticas de combate em ambiente urbano, a perspectiva focalizada ao longo do livro visa oferecer uma análise do teatro de combate e das operações militares entre as forças israelenses e a resistência palestina baseada no espaço urbano da Faixa de Gaza. Por isso, o livro, além de analisar as ações no campo de batalha e o modo operante de agressão israelense, concede enfoque privilegiado, também, nas ações e no modo de organização da resistência palestina. Por este viés, o livro investiga a dinâmica espacial de combate em ambiente urbano, fundamentando-se na concepção de urbanização do espaço de batalha como forma de organização do campo de batalha. Assim, ao demonstrar a destruição do espaço urbano como forma de transformar o espaço por meio de ações e técnicas combinadas de guerra, o trabalho coloca em evidência como o método do urbicídio é empregado pelas forças israelenses para alcançar objetivos militares no campo de batalha. Em contrapartida, o livro mostra também como os grupos armados palestinos, em especial o Hamas, baseiam suas ações em táticas de combate urbano descentralizadas a partir do uso de uma rede de túneis e ações de emboscadas e ataques-surpresa como forma de resistência armada.

 

Link de vendas: Clique aqui




 

sábado, 3 de janeiro de 2026

Da Venezuela ao Brasil, fim da soberania na América Latina

Prof. Dr. Márcio José Mendonça 

A ideia de uma intervenção militar estadunidense na Venezuela com o sequestro de Nicolás Maduro costuma aparecer no debate político mais como hipótese ou narrativa geopolítica do que como fato consumado, mas agora, ela é reveladora de um padrão histórico de atuação externa dos Estados Unidos. Em nome da defesa da democracia, da segurança internacional ou da estabilidade regional, intervenções diretas ou indiretas são frequentemente justificadas por discursos morais que ocultam interesses estratégicos. Nesse sentido, a soberania nacional venezuelana aparece como elemento central do conflito: trata-se do direito de um Estado decidir seus próprios rumos políticos sem coerção militar ou econômica estrangeira.


O argumento do combate ao tráfico internacional de drogas na Venezuela insere-se nesse mesmo repertório discursivo. Assim como no Iraque, onde a retórica do combate ao terrorismo foi usada para legitimar uma invasão militar que resultou em destruição institucional e instabilidade prolongada, a criminalização de um governo passa a servir de base para a violação de sua soberania. O paralelo evidencia como ameaças globais reais — drogas e terrorismo — podem ser instrumentalizadas politicamente para justificar intervenções que extrapolam o direito internacional e enfraquecem a autodeterminação dos povos.


Essa lógica não se restringe à Venezuela ou ao Oriente Médio. Quando se observa o problema do tráfico de drogas no Rio de Janeiro, frequentemente tratado com linguagem de guerra, percebe-se como a militarização do debate sobre segurança pública pode abrir espaço para soluções externas. Em um cenário de agravamento institucional ou fragilização política, a narrativa de que o Estado brasileiro seria incapaz de controlar seu território poderia, em tese, ser usada como pretexto para uma intervenção militar estrangeira, repetindo o padrão aplicado em outros países do Sul Global.


Nesse contexto, o enfraquecimento político do governo Lula ganha relevância geopolítica. Um governo fragilizado internamente tende a ter menor capacidade de resistir a pressões externas e de afirmar a soberania nacional em fóruns internacionais. A articulação entre Venezuela, Iraque e Brasil revela, portanto, um debate mais amplo: a defesa da soberania nacional frente a discursos securitários que, sob o pretexto de combater crimes transnacionais, podem legitimar intervenções que aprofundam a dependência, a instabilidade e a subordinação dos Estados periféricos no sistema internacional.


A neutralidade (para não dizer acovardamento) defendida pelo governo Lula nas disputas internacionais, em particular na questão da Venezuela, baseada no diálogo diplomático e no respeito à soberania dos Estados, insere o Brasil em uma posição de pouca relevância do debate político diante de conflitos e na intervenção estadunidense na Venezuela. Contudo, em uma leitura geopolítica crítica, essa postura pode ser vista como insuficiente para conter a lógica intervencionista que, historicamente, utiliza argumentos de segurança, combate ao crime transnacional ou defesa da ordem para legitimar ações militares externas. Nesse sentido, a Venezuela aparece como exemplo imediato desse padrão, enquanto o Brasil, diante de crises internas e da militarização de temas como segurança pública, poderia ser retoricamente enquadrado como um “próximo alvo” em cenários hipotéticos, reacendendo o debate sobre a necessidade de fortalecimento da soberania nacional e da autonomia regional.


Cuidado Lula, você abandonou Maduro. Logo a banana da vez pode ser você! 





terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Piratas do Caribe

Prof. Dr. Márcio José Mendonça

    O bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos à Venezuela faz parte de um conjunto de sanções que afetam diretamente a economia e a dinâmica política do país. Essas medidas restringem o acesso venezuelano a mercados internacionais, dificultam transações financeiras e impactam setores estratégicos, como o petróleo, principal fonte de renda nacional. Como consequência, a população enfrenta escassez de produtos, aumento do custo de vida e limitações no desenvolvimento social e econômico.

    Além das sanções econômicas, a presença e a atividade militar norte-americana no litoral venezuelano reforçam o clima de tensão entre os dois países. Exercícios navais, patrulhamento marítimo e operações de monitoramento são frequentemente realizados pelos Estados Unidos sob o argumento de combate ao tráfico ilícito e de garantia da segurança regional. No entanto, o governo venezuelano interpreta essas ações como formas de pressão política e demonstração de poder, consideradas ameaças à sua soberania nacional.

    Nesse contexto, o bloqueio econômico estadunidense contra a Venezuela e a invasão e ocupação do Iraque em 2003 podem ser associados como estratégias da política externa dos Estados Unidos para influenciar ou modificar governos considerados adversários aos seus interesses. No caso venezuelano, as sanções econômicas funcionam como um mecanismo de pressão indireta, enfraquecendo a economia, restringindo o comércio internacional e criando dificuldades internas que impactam diretamente a população e a estabilidade do Estado. Já no Iraque, a ação foi direta e militar, resultando na derrubada do governo de Saddam Hussein, na ocupação do território e em profundas transformações políticas e sociais no país.

    Apesar das diferenças nos métodos empregados, ambos os casos revelam o uso do poder econômico e militar como instrumentos de intervenção internacional. Enquanto o Iraque vivenciou os efeitos imediatos da guerra, com destruição de infraestrutura e perda de vidas, a Venezuela enfrenta consequências prolongadas do bloqueio, como crise econômica e isolamento diplomático. Em comum, essas ações levantam debates sobre soberania nacional, legalidade internacional e os impactos humanitários das intervenções, além de evidenciar como decisões geopolíticas de grandes potências podem afetar profundamente a trajetória de países do Sul Global.

    Assim como a pirataria consistia na tomada forçada de recursos sob a justificativa do poder e da dominação, o congelamento de reservas financeiras, a retenção de empresas e a limitação do uso de ativos venezuelanos no exterior representam mecanismos de coerção econômica que transferem controle e prejuízos ao país afetado. Essa comparação ressalta o caráter assimétrico dessas ações, que se valem da supremacia financeira e institucional para impor perdas econômicas significativas aos países não alinhados aos interesses norte-americanos que se recusam a aceitar o saque e roubo de ruas riquezas e recursos energéticos.



segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Hamas combate o terrorismo e enfrenta mercenários apoiados por Israel na Faixa de Gaza

Prof. Dr. Márcio José Mendonça

Em meio as negociações de paz e troca de reféns novos embates deixam dezenas de mortos na Faixa de Gaza. No último sábado (11/10) ao menos 27 pessoas morreram em confrontos na Cidade de Gaza entre forças de segurança do Hamas e membros armados do clã da família Dughmush, um grupo armado apoiado e financiado por Israel que vem ampliando as suas ações após a invasão israelense ao enclave de Gaza.

Após a retirada parcial das forças israelenses do interior da Faixa de Gaza o Hamas tem buscado retomar o controle de áreas recentemente desocupadas por tropas israelenses. Suspeita-se que o jornalista Saleh Al-Já’frawi, assassinato no último domingo (12/10) por gangues ligadas a Israel não seja um caso isolado, mas uma ação de grupos mercenários financiados por Israel que buscam desestabilizar a região e impedir o andamento do processo de paz após a assinatura de um acordo de cessar-fogo (10/10).

Além de atacar jornalistas que realizam a cobertura da guerra e denunciam o genocídio perpetrado por Israel em Gaza, gangues armadas por Israel visam lideranças comunitárias e membros da sociedade civil palestina para criar divisões internas que possam ser exploradas por Israel. É conhecida a estratégia de “dividir para reinar” aplicada pelo colonialismo euro-americano em diferentes lugares do mundo e agora por Israel não só na Faixa de Gaza ou na Cisjordânia, mas no Líbano nos anos 1980, quando apoiaram grupos falangistas que realizaram uma série de massacres contra palestinos em solo libanês.   

O terrorismo sempre foi uma das principais estratégias de guerra de Israel contra os palestinos. Durante a Guerra Árabe-Israelense de 1948 as milícias israelenses incluíam o grupo Haganá e o Irgun, dois dos principais grupos paramilitares sionistas que mais tarde foram incorporados às Forças de Defesa de Israel. Figuras importantes da política israelense como Ariel Sharon e Menachem Begin que ocuparam o cargo de Primeiro-Ministro tiveram participações relevantes nessas milícias. À frente desses grupos e como chefes de governo foram ambos responsáveis em realizar massacres com a finalidade de alcançar objetivos políticos. Benjamin Netanyahu segue o mesmo caminho e seria mesmo o Sylvester Stallone malvadão de "Os Mercenários" na vida real?




domingo, 21 de setembro de 2025

Geopolítica no Youtube

Prof. Dr. Márcio José Mendonça

Preocupados com a difusão de fake news e material tendencioso que páginas e youtubers veiculam na internet sobre os mais variados temas de geopolítica, listamos canais e programas de análise de assuntos de geopolítica de comentaristas comprometidos com análises críticas. A lista abaixo inclui canais internacionais e brasileiros que podem ser acessados no Youtube:

 

Glenn Diesen Português: https://www.youtube.com/@GDiesenPT

Dialogue Works Português: https://www.youtube.com/@DialogueWorksPT

India & Global Left Português: https://www.youtube.com/@IndiaGlobalLeftPT

Danny Haiphong Português: https://www.youtube.com/@DHaiphongPT

Syriana Analysis: https://www.youtube.com/@SyrianaAnalysis

Canal Multipolar TV: https://www.youtube.com/@canalmultipolartv

Canal da Geopolítica: https://www.youtube.com/c/CanaldaGeopol%C3%ADtica

Rogério Anitablian: https://www.youtube.com/c/Rog%C3%A9rioAnitablian

GeoSmartNews: https://www.youtube.com/@GeoSmartNews

Plano Brasil: https://www.youtube.com/@Blogplanobrasil

Pepe Café: https://www.youtube.com/@pepecafe

Programa Pepe Escobar (TV 247): https://www.youtube.com/playlist?list=PL9AEHeaYiogITbMbvWgUckBFvOGVA5dpd

Arte da Guerra: https://www.youtube.com/@ARTEDAGUERRA

Programa Análise Internacional com Rui Costa Pimenta: https://www.youtube.com/playlist?list=PL6mJOXeVZnXWhTNYlkwpGfcav4sQ8TE87

Geopolítica e História Militar: https://www.youtube.com/@historiamilitaremdebate3308

Falando Geral Canal: https://www.youtube.com/@falandogeral

Oriente Médio em Revista: https://www.youtube.com/@orientemedioemrevista 




Geopolítica dos Jogos de Inverno 2026

  Prof. Dr. Márcio José Mendonça Ao longo do século XX e início do XXI, os Jogos Olímpicos consolidaram-se não apenas como um evento esporti...