terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Piratas do Caribe

Prof. Dr. Márcio José Mendonça

    O bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos à Venezuela faz parte de um conjunto de sanções que afetam diretamente a economia e a dinâmica política do país. Essas medidas restringem o acesso venezuelano a mercados internacionais, dificultam transações financeiras e impactam setores estratégicos, como o petróleo, principal fonte de renda nacional. Como consequência, a população enfrenta escassez de produtos, aumento do custo de vida e limitações no desenvolvimento social e econômico.

    Além das sanções econômicas, a presença e a atividade militar norte-americana no litoral venezuelano reforçam o clima de tensão entre os dois países. Exercícios navais, patrulhamento marítimo e operações de monitoramento são frequentemente realizados pelos Estados Unidos sob o argumento de combate ao tráfico ilícito e de garantia da segurança regional. No entanto, o governo venezuelano interpreta essas ações como formas de pressão política e demonstração de poder, consideradas ameaças à sua soberania nacional.

    Nesse contexto, o bloqueio econômico estadunidense contra a Venezuela e a invasão e ocupação do Iraque em 2003 podem ser associados como estratégias da política externa dos Estados Unidos para influenciar ou modificar governos considerados adversários aos seus interesses. No caso venezuelano, as sanções econômicas funcionam como um mecanismo de pressão indireta, enfraquecendo a economia, restringindo o comércio internacional e criando dificuldades internas que impactam diretamente a população e a estabilidade do Estado. Já no Iraque, a ação foi direta e militar, resultando na derrubada do governo de Saddam Hussein, na ocupação do território e em profundas transformações políticas e sociais no país.

    Apesar das diferenças nos métodos empregados, ambos os casos revelam o uso do poder econômico e militar como instrumentos de intervenção internacional. Enquanto o Iraque vivenciou os efeitos imediatos da guerra, com destruição de infraestrutura e perda de vidas, a Venezuela enfrenta consequências prolongadas do bloqueio, como crise econômica e isolamento diplomático. Em comum, essas ações levantam debates sobre soberania nacional, legalidade internacional e os impactos humanitários das intervenções, além de evidenciar como decisões geopolíticas de grandes potências podem afetar profundamente a trajetória de países do Sul Global.

    Assim como a pirataria consistia na tomada forçada de recursos sob a justificativa do poder e da dominação, o congelamento de reservas financeiras, a retenção de empresas e a limitação do uso de ativos venezuelanos no exterior representam mecanismos de coerção econômica que transferem controle e prejuízos ao país afetado. Essa comparação ressalta o caráter assimétrico dessas ações, que se valem da supremacia financeira e institucional para impor perdas econômicas significativas aos países não alinhados aos interesses norte-americanos que se recusam a aceitar o saque e roubo de ruas riquezas e recursos energéticos.



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