sábado, 28 de dezembro de 2024

Guerra das máquinas e o futuro do campo de batalha

 Prof. Dr. Márcio José Mendonça 

O teatro de guerra na Ucrânia tem produzido uma intensa corrida tecnomilitar entre russos e ucranianos com emprego de diversos tipos de robores terrestres e drones no campo de batalha. Em 16 de dezembro, os ucranianos anunciaram o primeiro assalto totalmente robotizado em trincheiras no campo de batalha, com emprego de dezenas de veículos terrestres não tripulados equipados com metralhadoras e minas terrestres, apoiados com o suporte aéreo de drones kamikazes de visão em primeira pessoa, operando em conjunto e total sinergia em um ataque realizado nas imediações de Kharkiv. O emprego combinado desses equipamentos, segundo os ucranianos, garantiu o avanço seguro da infantaria no terreno tomando posições russas na área norte de Kharkiv.

Tais inovações tecnológicas no campo de batalha fazem parte da implementação de um programa ucraniano, chamado Brave1 (Ukranian Defense Innovations), que busca alcançar uma série de soluções tecnológicas inovadoras em cenário de combate a partir do emprego de inteligência artificial e guerra eletrônica. Esse avanço tecnológico reflete a tentativa da Ucrânia de superar limitações de mão de obra para evitar baixas humanas no campo de batalha, enquanto os russos também têm desenvolvido suas próprias soluções criando uma competição tecnológica entre os dois países.

Neste momento há diversos robôs atuando no campo de batalha como apoio de fogo e suporte logístico. São exemplos os cães robôs que são usados em missões de patrulhamento e entrega de suprimentos. Estes robôs são ágeis e podem atuar em terrenos difíceis para localizar armadilhas e minas terrestres, além de transportar cargas e armamentos. Na guerra robótica, outro destaque são os robôs kamikazes, um tipo de drone terrestre que pode realizar missões de ataque kamikaze, transporte de suprimentos e criação cortinas de fumaça, entre outros usos. Mas a principal aplicação de veículos kamikaze consiste no pronto emprego em missões suicidas, implantado minas terrestres antipessoais ou explosivos para destruir tanques e fortificações mantendo os operadores em distância segura.

No teatro ucraniano, os robôs de apoio de fogo estão emergindo como ferramentas crucias no campo de batalha moderno, integrando tecnologia avançada com táticas militares para alcançar maior eficiência, precisão e segurança. Estes robôs já estão operando de forma autônoma por meio do avanço de implementação de inteligência artificial. Dessa forma, as introduções dessas armas acrescentam novas camadas de complexidade no campo de batalha e dão um deslumbre das guerras do futuro altamente robotizadas, um verdadeiro campo de batalha cyber tecnológico.

A operação militar na Ucrânia, seguida pelo conflito na Palestina, provou que o conflito moderno, seja em trincheiras, seja nos mares, seja nas cidades, é diferente daqueles que vimos até o século XX. Na guerra moderna os sistemas automatizados, equipamentos controlados remotamente à distância, versáteis e furtivos, como os drones e robores terrestres, estão conquistando espaço e são fundamentais no campo de batalha em inúmeras aplicações. Isso não significa que a infantaria tenha perdido sua importância; ela continua indispensável para atacar, ocupar e manter o terreno. No entanto, sem o apoio de drones e outros sistemas robotizados as tropas em solo e os equipamentos militares no campo de batalha tornam-se vulneráveis e podem até mesmo se tornar obsoletos. Em guerras que, independentemente do ambiente, dependem cada vez mais de sistemas que proporcionem consciência situacional, os diversos tipos de drones e veículos terrestres não tripulados são fundamentais para missões de ataque, transmissão de informações e codificação de dados.  


Drone terrestre ucraniano instala barreiras de minas antitanque no terreno. 

Fonte: “Guerras pelo mundo”, no Instagram, 26 de janeiro de 2024.




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